O novo que quer ser velho no passado
O velho que sonha com o novo no presente
O sonho que vive o velho do futuro
O Tempo me matando pouco a pouco
Preciso embriagar-me de algo.
Então, que seja de você.
Entre boêmios o homem espreita
Sem duvidar dessa sua certeza
Enterra o passado na sola do pé
E derrama sua desperdiçada vida
Vivida, desmedida na lata de Golé
Morre de ataque ao ver que na lida
O misere que vivia fazia do seu lar
Uma grande montanha, até fico sem ar
De contar tamanha desventura vivida
Na altura da infelicidade ele resistia
Não querer mais o palco e trazia vazia
A mala velha que antes bem guardava
Narizes de palhaços que ele já vestira.
Não contente com a vida de artista
Saiu do picadeiro como pipoqueiro
E virou bandido. Sofrido o coitado
Pela vida foi afoitado e mau jurado
Prejudicado por sua própria atitude
Não tinha no peito o coração de antes
Que perante o instante não se julgava
O homem de outrora e não encontrava
O meio disso tudo no homem de agora
O homem quis ser palhaço dessa vida
Deixou pra trás a fantasia de homem
Queixou do ontem dizendo onde jazia
Não estava a mais de alguns metros
Daquele terreno baldio do outro lado
Pela tenda já não estava mais ocupado
E o palhaço que era homem de fato
A seu risco fantasiou-se de homem
E viveu o resto do fim sendo palhaço
Seu blefe só tinha um problema...
Seu Altivo sempre acertava.
Das crianças nos dias de final de semana correndo e se espatifando pelo pasto, com espinhos no pé e mangas na mão, mulheres habilidosas com seus temperos mineiros todos misturados como um sangue de familia, da prosa curiosa e sempre bem iventada que Altivo contava ao anoitecer, sendo a atenção desviada apenas pelos tapas que dava-mos quando as muriçocas nos picava.O caso de Antero - Paredes de Bordel
Antero em seu leito,
No deleite da dor descoberta
Revela Dianna após o feito
O pranto (ou encanto) da morte certa:
- Acho que tenho AIDS... (Sussura Antero)
Daqui, dessas paredes pra fora
Em mente pretendo viver...
O dia é muito grande pra isso conter.
Livre do mundo lotado de gente
Amarei a todas prostitutas
Deusas desnudas indecentemente
Amá-las-ei sexualmente.
- Acho que tô surtando Antero!
Temo tudo ditado nesse sonho
Já nenhum carinho eu pondero
Nada dessa vida já eu quero.
Dias que não vejo o mundo...
Dias de morte - entreguei-me ao seu gozo
Dias de paz - Já não tem seu doloso dorso
- Partindo de nós! (Diz Antero ao fundo).
- Jaz é noite Mulher! Durma um pouco.
Se for a morte traga-me um trago...
Deixo-te em carne viva o meu gozo
E levo à tumba a cicatriz do teu cigarro.
- Mulher!
- Quero ir a morte condenando-a
Mordendo desejos,
Bocejos na manhã,
E os cães raivosos rodeando
Até desistir de amar...
E você os viciando
Aprontando com seu sexo
Distorcendo sua dor...
Calando tua voz
O matando lentamente
No sereno dessa vida
Do amor sobrevivente